Um dedão tão bom quanto um novo

O ano de 1963 foi recheado de viagens do Vasco para o exterior. Nessa época, Saulzinho conheceu 10 países durante três excursões, que eram realizadas pelas equipes brasileiras com o objetivo de faturar um dinheiro extra, já que o calendário naquela época era bem mais folgado. Aproveitando a onda do bicampeonato mundial da seleção brasileira, diversos clubes se aventuraram em solo internacional.

O Vasco, por exemplo, realizou 25 jogos internacionais, vencendo 14, empatando 7 e perdendo 4 partidas. De quebra, levou para São Januário a taça do Pentagonal do México. Foram visitados os seguintes países: Costa Rica, México e El Salvador (entre 06 de janeiro e 10 de fevereiro de 1963); Chile (entre 31 de março e 14 de abril de 1963); e Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Sudão, Portugal, Espanha (entre 5 de maio a 25 de junho de 1963).

Saulzinho dizia que os africanos não tinham muita tática e nenhuma estratégia de jogo, mas corriam feito loucos atrás da bola e isso fazia com que os jogos fossem muito duros. Ele contava que na Nigéria, após ter se contundido na vitória de 6 a 0 contra a seleção local (25/05/63), quando marcou quatro gols e ainda teve um outro equivocadamente anulado, não iria jogar a partida seguinte, 24 horas depois, contra a Seleção da África Ocidental, já que o seu dedão do pé direito havia sido pisado com muita força por um  zagueiro nigeriano e ficou muito inchado.

No vestiário, o médico do Vasco, Dr. Waldir Luz, olhando aquele dedo inchado e cheio de sangue por baixo da unha, de imediato o proibiu de jogar. Mas ele queria atuar de qualquer maneira. E foi aí que a solução veio do outro vestiário. O médico da seleção africana, que junto com alguns dirigentes fez visita de cortesia à equipe vascaína, descobriu que o centroavante adversário não iria jogar. Então, ele olhou para aquele dedão inchado, abriu sua maleta, pegou um bisturi e pediu para intervir – afinal, Saulzinho foi a estrela do jogo anterior e não poderia ficar fora do confronto. Receoso, o médico brasileiro, meio na dúvida, titubeou, mas Saulzinho insistiu que queria jogar. “Então, o médico africano abriu minha unha com o bisturi, e todo o sangue escorreu. Ele colocou uma gaze com esparadrapo no dedão, que ficou tão bom quanto um novo.”

Nesse dia, mesmo com o time muito cansado, Saulzinho ajudou o Vasco a vencer o jogo por 3 a 1.

A história contada por Saulzinho diverge do que foi divulgado pelo site Papo da Colina quanto a autoria dos gols na goleada por 6 a 0 na Seleção da Nigéria. De acordo com o atacante vascaíno, nesse jogo ele fez cinco gols, mas um deles foi mal anulado. “Foi em um lance limpo, sem qualquer impedimento, ou outro problema. Nada, nada, tchê! A bola bateu lá dentro e voltou. Ninguém entendeu a anulação”, contou Saulzinho.

Em entrevista ao jornalista Gustavo Mariani, publicada no Jornal de Brasília (e também no site História do Futebol e no blog Saulzinho 70) , Saulzinho afirmou ter marcado quatro gols nesse jogo. No entanto, o site Papo da Colina afirma que Saulzinho marcou somente um gol, Lorico outro e Célio mais quatro. O site da NetVasco, por sua vez, atribui a autoria de quatro gols a Saulzinho (https://www.netvasco.com.br/n/128815/ha-50-anos-vasco-derrotava-a-selecao-da-nigeria-durante-excursao-a-europa-e-a-africa).

Foto – Site Papo na Colina (https://paponacolina.com.br/africa-conheca-a-excursao-do-gigante-da-colina-pelo-continente-em-1963/)

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