Saulzinho: possível ausência – Folha Esportiva (08/04/1961)

Saulzinho, transacionado esta semana pelo Guarani com o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, é a dúvida da equipe “índia”. O crack deve estar hoje em Bagé, em companhia do presidente da agremiação. Então saber-se-á se o clube vascaíno que já tem direitos sobre o atleta, permite sua inclusão na equipe alvi-rubra.

EQUIPES E ARBITRAGEM

Formarão as duas equipes da seguinte maneira:
GUARANI – Gainete; Saul Mujica, Danga e Augusto; Sérgio e Sílvio; Max, Tupanzinho, Saulzinho (Ivo Medeiros), Solis Rodrigues e João Borges.

BAGÉ – Antoninho; Gabriel, Plínio e Nono; Armando Gomes e Carioca; Molecagem, Pinto, Glênio, Stonrniol e Joeci.

Romeu Rodrigues da Cruz, auxiliado por Agomar Martins e Guilherme Sroka – mesmo trio do último cotejo – funcionarão na arbitragem. Há em expectativa, em Bagé, para a quebra de recorde de bilheteria.

SAULZINHO chegou ontem, do Rio de Janeiro, em companhia do presidente do Guarani, sr. Paulo Barcelos da Silveira. O atacante foi transacionado com o Vasco da Gama, por dois milhões e trezentos mil cruzeiros, recebendo de luvas meio milhão de cruzeiros e oferta de vinte mil mensais. Além disso, perceberá, como gratificação do clube bageense, seiscentos e noventa mil cruzeiros.

Bagé e Guarani jogam amanhã match que poderá ser decisivo pela 12 vaga do campeonato! – Folha Esportiva (08/04/1961)

Poderá surgir amanhã, na Baixada da fronteira a decisão acerca do ocupante da 12ª vaga do Campeonato da primeira Divisão de Profissionais Categoria Especial. No estádio da estrela D’Alva, reduto “índio” cotejarão os elencos representativos do Guarani Football Clube e do Grêmio Esportivo Bagé. Jogo de interesse natural, evidentemente. Seja pelo fato já aludido – vale ingresso no circuito privilegiado – como também pelas características de clássico “titã-teima”. Alentado pelo triunfo do último domingo (1 x 0), o Guarani, ainda pelo fato de ser equipe tecnicamente mais entrosada, ostenta as condições de favorito. Paralelamente à essas considerações, acentua-se que, há uma semana, com a mesma dose de vantagem, nas prévias, sobre o elenco jalde-negro, ainda assim os “índios” passaram por maus bocados para chegar à vitória. Em clássico – como às vezes se procura dizer – não há favoritismo.

Revista do Esporte nº 215 (20/04/1963)

LORICO, Da Silva e Saulzinho foram, no campeonato de 62, valores dos mais positivos do ataque do Vasco. Especialmente Lorico, que está em forma excepcional. O técnico cruzmaltino, Jorge Vieira, conta com eles para dar grandes alegrias a torcida no certamente deste ano (Foto feita por Jurandir Costa, exclusiva para a RE).

Revista do Esporte nº 204 (02/02/1963)

De uma só vez homenageamos nesta edição duas grandes torcidas, a do Flamengo e a do Vasco. Além de figurarem na capa, Jordan e Saulzinho, aparecem neste número em atraentes reportagens, fazendo revelações do maior interesse para os torcedores. Se é que ainda não leram, vejam o que Jordan diz de Garrincha e quais foram os maiores gols de Sauzinho (Fotos de Jurandir Costa).

Revista do Esporte nº 285

SAULZINHO teve uma fase de ouro, quando chegou ao Rio egresso do futebol gaúcho (Bagé). Chegou mesmo a ser artilheiro do campeonato carioca. Depois, seguidas contusões afastaram Saulzinho do time titular Agora, neste certame de 1964, o craque sulino voltou ao quadro titular, disposto a reconquistar a posição (Foto feita por Jurandir Costa).

A carreira de Saulzinho

Saul Santos foi um futebolista que nasceu em Bagé-RS (31 de outubro de 1937) e faleceu em Florianópolis (25 de julho de 2023). De família humilde, começou a jogar futebol muito cedo e logo ingressou no time do Grêmio Esportivo Bagé, que havia feito com ele um contrato “de gaveta”. Mas, após uma complicada reviravolta, que lhe custou um ano sem atuar, acabou defendendo as cores do arquirrival Guarany.

Disputou sua primeira partida profissional em 1954, contra o Nacional, de Porto Alegre, fazendo um gol de bicicleta. Artilheiro nato, acabou se destacando no campeonato gaúcho.

Em 1961, foi para o Rio de Janeiro, para atuar no Vasco da Gama, tendo a difícil missão de substituir o consagrado craque cruzmaltino Vavá. E acabou dando certo.

Em 1962, o craque sulista foi artilheiro do campeonato carioca, com 18 gols em 19 jogos. Nessa época, formou ataque com Lorico e Da Silva. Diversas contusões acabaram prejudicando sua carreira no futebol carioca, mas Saulzinho, sob conviver com os problemas e sempre dar a volta por cima.

Saulzinho gostava de lembrar que na década de 60, o Vasco fazia diversas excursões pelo mundo, o que o levou a conhecer quase toda Europa, a África e América. Deixou o Vasco em 1965, voltando para Bagé e encerrando sua carreira no Guarany.

Os registros e súmulas mostram que, como profissional, Saulzinho marcou 101 gols pelo Guarany de Bagé e outros 89 gols pelo Vasco da Gama, num total de 190 gols.

Segundo Saulzinho, jogar futebol na década de 1960 era muito complicado. “Os zagueiros eram mais violentos, a chuteira e a bola não eram tão boas quanto as de hoje e os campos eram muito esburacados”. Mesmo assim, o artilheiro lembrava da galeria de craques de seu time e dos adversários. “Tínhamos que enfrentar o Botafogo de Garrincha, o Flamengo de Jordan, o Fluminense de Castilho e Pinheiro ou o Santos de Pelé. Não tinha moleza nos anos 60.”

Morte

Saulzinho morreu no dia 25 de Julho de 2023, em Florianópolis, Santa Catarina, de uma parada cardiorrespiratória. Ele já havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em março de 2017, mas se recuperou plenamente. Dois anos mais tarde, foi constatado que ele sofria de Mal de Alzheimer.